Depois de muito rastejar, a lagarta viu, certo dia, que era preciso se preparar, pois sua vida de inseto logo chegaria ao fim. Subiu num perfumado galho de macieira e ali se deitou, tranquila e sem tristeza, entregue ao tempo que a levaria. Deitou-se de um jeito de lagarta, dependurando-se num galho e tecendo com um fio uma casa-casulo à sua volta. Dali, despediu-se, pois não mais voltaria a existir.

Enquanto isso, do lado de fora, o mundo seguiu sua vida. Veio a chuva, veio o vento, veio o frio. Enfim, o outono chegou e com ele o céu ficou muito azul. E naquele azul, um dia, asas de amarelo brilhante riscaram o ar. Quem olhou para o casulo naquele momento viu que nada mais havia ali então, apenas uma abertura, uma portinhola, e, dentro, tudo estava vazio. Quem olhou com atenção viu um rastro amarelo vivo, bem vivo como o amarelo da asa de uma borboleta, saindo desde lá. Quem olhou com o coração viu que a verdadeira vida do inseto que ali estivera enfim começara de fato e que a lagarta não havia se lamentado, pois seu destino era ser uma borboleta amarela riscando o azul do céu quando o outono chegasse.

E como essa borboleta, muitas outras nasceram. E se você vir nos próximos dias borboletas amarelas, azuis, marrons, pretas e vermelhas e de todas as cores por aí, vai se lembrar dessa história e de que é sobre isso a festa que acontece agora. As pessoas chamam essa festa de vários nomes, como Pessach, ou passagem, e Páscoa, e comemoram com ela a chegada de uma nova estação do ano, as colheitas, uma nova vida…

Boa Páscoa!

 

Texto: adaptação feita a partir de histórias infantis que carregam o simbolismo da Páscoa

Imagem da capa: uso livre na internet/Imagem no post: retirada do pinterest – lh5.googleusercontent.com

 

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