Um silêncio de ar, luz e céu.
Em silêncio transparente
o dia repousava:
a transparência do espaço
era a transparência do silêncio.
A imóvel luz do céu sossegava
o crescimento das relvas.
Os bichos da terra, entre as pedras,
sob a mesma luz, eram pedras.
O tempo no minuto se saciava.
Na quietude absorta
se consumava o meio-dia.

E um pássaro cantou, frágil flecha.
O peito com prata ferido vibrou o céu
Moveram-se as horas,
As relvas despertaram…
E senti que a morte era uma flecha
Que não se sabe quem dispara
E num abrir de olhos nós morremos.

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