Criar, contar, escrever, contar… – processos criativos com as palavras III

Criar, contar, escrever, contar… – processos criativos com as palavras III

“Bom, uma ideia ainda melhor do que as pequenas tarefas (ver na parte II destes posts) são os primeiros esboços ruins. Todos os bons escritores fazem isso. É assim que conseguem segundos esboços bons e terceiros esboços ótimos. As pessoas tendem a pensar que escritores de sucesso – aqueles que têm seus livros publicados e que talvez até estejam bem financeiramente – se sentam na frente da escrivaninha todas as manhãs se sentindo incríveis, satisfeitos consigo mesmos, felizes pelo talento que têm e pela grande história que vão contar. Conheço ótimos escritores – que são adorados, escrevem muito bem e ganharam muito dinheiro – e nenhum deles costuma se sentir incrivelmente entusiasmado e confiante. Nenhum deles escreve primeiros esboços ótimos”

 

 

É assim que Anne Lamott começa o capítulo em que apresenta a “segunda coisa útil sobre a arte de escrever”, desmistificando a escrita e mostrando que “escrever não é algo arrebatador”.

 

Então, ela estimula seus leitores a escreverem seu primeiro esboço ruim. É preciso fazer como uma criança, que coloca tudo para fora, sem censura. É preciso agir assim, sabendo que ninguém vai ler esse texto e que é possível acertá-lo mais tarde. Anne enfatiza que é importante simplesmente deixar a parte infantil canalizar para a página tudo que for surgindo:

 

“Se uma das personagens quer dizer ‘E daí, seu bunda suja?’, você deixa. Ninguém vai ver. Se a criança quiser entrar em um território realmente sentimental, choroso e emotivo, permita. Apenas ponha tudo no papel, porque em alguma parte daquelas seis páginas malucas que vão sair pode haver algo ótimo, que você não teria conseguido usando meios racionais e maduros. Pode haver algo na última frase do último parágrafo da página seis que é tão bonito ou impetuoso que faz com que você veja mais ou menos sobre o que deveria estar escrevendo ou que direção seguir – mas não havia como chegar até ali sem passar pelas primeiras cinco páginas e meia.”

 

Inspirador!? Que tal tentar!?

 

 

 

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Palavra por palavra, instruções sobre escrever e viver, Anne Lamott, Editora Sextante, 2011.

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